Sim, assisti ao vídeo.
Minha conclusão??? Sinceramente, não sei nem por onde começar.
Isso porque Bauman, na sua fala, fez uma espécie de 'raio X' da considerada 'Pós-Modernidade'. E essa avaliação foi tão contundente, tão perspicaz que fica difícil de resumi-la. Daria pra extrair dela teses densas de Doutorado e Pós-Doc.
Lá vai a minha tentativa.
Ele discutiu sobre a mudança no século XX de Sociedade de Produção para Sociedade de Consumo; sobre a chamada fragmentação da vida humana; sobre a Crise da Identidade do indivíduo; Sobre o enfraquecimento da Democracia e a crise do conceito de Estado/nação dentre outros.
No entanto, o que mais me chamou atenção foi sobre a diferença entre Comunidades e Redes. Bauman analisa, de forma generalizada, que Comunidade é algo que estamos inseridos ao nascer (querendo ou não), e que numa Rede, o princípio básico é o de estar ou não conectado - basta a ação de delete que vc estará ou não inserido em determinado grupo e excluir ou não uma pessoa do seu ciclo de amizades. Conecta-se ou desconecta-se.
O verbo 'conectar', no entanto, tem um sentido bem amplo: Deriva-se do Latim: CONNECTIO, “ligamento, junção”; É formada por COM, “junto”, mais NECTERE, “atar, unir”; Unir ou unir-se através de uma conexão; É ficar ligado em alguma coisa, ou seja, ficar fixado. Conectar, segundo o Dicionário Aurélio, dando um sentido atual a palavra, significa ter acesso a, ou contato com alguém, determinadas informações, serviços, entre outros, através de dispositivos computacionais postos em comunicação entre si.
Vamos mais fundo na etmologia da palavra e dar uma conotação mais contundente: pensar na conexão intrauterina entre mãe e filho. A pergunta é: 'Hoje, estamos realmente conectados?'. Estamos fazemos 'amigos' e ficamos invisíveis para o outro.
Quando este pensador discute sobre a diferença entre Redes e Comunidades, não dá apenas a perspectiva de explicitar conceitos, mas de fazermos pensar em questões atualíssimas e centrais como por exemplo as relações públicas e privadas mudaram em detrimento ao progresso da técnica na sociedade da Informação e Comunicação. Ele pergunta: “Que tipo de momento\ordem social vivemos hoje?”.
Encurtamos distâncias, quebramos barreiras, criamos um mundo sem fronteiras, socializamos e compartilhamos o conhecimento... a forma como nos comunicamos hoje em rede é incrível, é impressionante. E também incrível e impressionante é a forma como a técnica (re)configurou noções sólidas a exemplo do Estado. Qualquer alteração seja ela de ordem econômica, política ou social em qualquer parte do mundo, configura-se em reações em cadeia, em consequências vislumbradas em qualquer outra parte do mundo.
Quando ele pergunta que tipo de momento vivemos hoje, está perguntando também que tipo de indivíduo nos tornamos? Que tipo de sociedade estamos construindo?
Terceirizamos nossas responsabilidades, pertencemos a todo e a nenhum lugar, estamos deixando como herança às futuras gerações um mundo a ser construído e reconfigurado a cada segundo. Isso é fantástico, mas quais as consequências disso?
Bauman afirma que um dos principais temores de sua juventude seria o de figurar a opressão vertical onde o Estado se rebelaria, a qualquer instante, contra o indivíduo. No entanto, hoje, lamenta, o perigo maior está derivando-se na instância horizontal onde o privado, onde o indivíduo não importa-se tanto nas discussões para resoluções de problemas no âmbito coletivo. Estamos nos tornando, segundo ele, mônadas isoladas que procuram resolver problemas pessoais e satisfazer a necessidades íntimas.
Num post anterior sobre um texto de Bauman, eu brincava criando uma metáfora dizendo mais ou menos que “...se estamos vivendo um momento de liquidez, então ora bolas, façamos um suco”. Mas depois desse vídeo penso sobre que gosto teria esse suco. Mais adiante eu questiono: que consequências esse suco trará para minha saúde e a saúde de meul filhos e netos?
Não se trata aqui de uma crítica ao uso da Tecnologia e sim ao seu uso instrumental (como ocorreu na crítica de Adorno e Horkheimer ao uso da razão instrumental)
Não se trata aqui de uma crítica ao uso da Tecnologia e sim ao seu uso instrumental (como ocorreu na crítica de Adorno e Horkheimer ao uso da razão instrumental)
Finalizo esse brevíssimo comentário (brevíssimo devido a densidade do vídeo), sobre mais outro 'desconforto' que Bauman nos causa ao referir-se a amálgama entre Liberdade e Segurança. Segundo ele, uma coisa não vive sem a outra, numa justa medida, e que sempre buscaremos um equilíbrio entre esses dois binômios. O problema é que cedemos muito de nossa Liberdade individual em prol de uma segurança promovida pela esfera pública.
E o mais aterrorizante é que além de não percebermos a sutileza dessa troca, também não se sabemos exatamente o conceito, o sentido e nem a profundidade da palavra 'liberdade'... por outro lado, na era da Tecnologia, Informação e Comunicação, temos a certeza de que somos livres.
Agora vou comer um pouco de chocolate... Bauman me deprimiu demais.
esse cara é muito complicado,de se entender.....
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